No momento que eu menos esperava, eu olhei ao meu redor e percebi que não há nenhuma maneira da vida ficar melhor do que isso!
Se algum dia eu disser que não tenho nenhum problema na minha vida, pode esperar pelo crescimento súbito do meu nariz, porque eu com certeza estarei mentindo. Mas hoje, analisando minha vida, percebo que faz pelo ou menos uns 3 anos que eu não sinto a paz que eu venho sentindo agora. Tudo parece estar se encaixando e voltando ao normal. E sinceramente, isso é tudo o que eu preciso agora.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Incrível como mudanças de ares abrem perspectivas de visão totalmente diferentes.
Comecei a trabalhar nesta semana em uma nova escola, localizada no bairro de Veleiros. Começando já pelo bairro, a primeira imagem que temos é que estamos em território essencialmente residencial, sem os grandes engravatados que tanto eu via na região da Berrini. Tudo muito mais simples, com gente mais humilde...
E de repente percebo que era exatamente isto que eu precisava na minha vida. Um bom exemplo do que é a vida real no meu cotidiano. Esta paz que essencialmente venho sentindo nesta última semana é tudo o que eu venho buscando nestes últimos anos, em empregos.
Hoje, voltando pra casa, ouvi esta música (pra quem estiver se perguntando, se chama "Ants Marching", do Dave Matthews Band). Pode até ser que tudo o que eu tenho visto seja simplesmente as formigas marchando, fazendo tudo sempre igual, como na música do Chico Buarque. Mas percebam como a melodia é feliz!!!
Tenho ouvido tanta mentira nestes últimos tempos, que comecei a pesquisar sobre isso. Cheguei a seguinte conclusão:
O que é a mentira?
Para o Dr. House: "Everybody lies..." Para o Wikipédia: "Mentira é uma declaração feita por alguém que acredita ou suspeita que ela seja falsa, na expectativa de que os ouvintes ou leitores possam acreditar nela". Para Franklin Roosevelt: "A repetição não transforma em verdade uma mentira" Para a Folha de São Paulo, num comercial antológico: "É possível dizer um monte de mentiras falando só a verdade" Para Jaume Perich (Humorista): "Qualquer tolo pode dizer a verdade; para mentir é preciso imaginação". Para Millôr Fernandes: "As pessoas que falam muito, mentem sempre, porque acabam esgotando seu estoque de verdades". Para as pessoas do meu serviço: "É simplesmente omitir algo que possa te prejudicar no futuro". Para minha mãe: "Absurdo!!!" Para o Pinocchio: "Mas eu não estou usando calcinha rosa" (só vai entender quem assistiu Shrek).
Ai Jisuis... para o mundo que eu quero descer!!!
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Uma das grandes frustrações que eu carrego comigo ao longo dos anos é o fato de não saber escrever literariamente. Sofro com isso desde muito pequena, quando os velhos professores apontavam o dedo em riste e diziam: você escreve como uma pessoa de três anos, sem coesão, coerência. E eu lá sabia o que diabos era isso? Sabia que precisava melhorar, de alguma maneira.
O tempo foi passando, fui devorando cada vez mais livros e, pra minha surpresa, não melhorei nada no que escrevia. Talvez porque não sentisse dentro de mim aquela emoção que eu tentava transparecer para aquele emaranhado de letras. Ou então finalmente eu entendi qual era a tal coesão a qual meu professor se referia.
Hoje, minha grande tentativa ao manter este blog é trazer a tona o meu lado escritora. Certa vez, um amigo meu disse que escrever bem é uma questão de prática. Só conseguirei ver se ele estava certo praticando.
Meus posts a partir de agora serão semanais. Ainda que ache que ninguém está lendo o que escrevo aqui, é sempre mais fácil do que usar a caneta.
Para todos aqueles que me conhecem, sabem: sempre tive um problema com a minha aparência. Complexada com o fato de ser um pouco acima do padrão de peso, eu cresci sendo comparada com as princesinhas da minha vizinhança, revoltada por não ter sido contemplada com um rostinho de boneca e um corpinho de Barbie.
Hoje, fico feliz que pessoas como estas duas abaixo derrubem estes preconceitos e mostrem o seu real valor. Susan e Paul são duas verdadeiras graças divinas, com um dom verdadeiro que nenhuma gostosona do Zorra Total tem.
E esse é o link pro vídeo da Susan Boyle: enjoy!!!
"O mundo anda muito louco, nada mais me espanta, nada mais me espanta!!!"
Ando vendo muitas coisas loucas nestes últimos dias, coisas que tem me feito questionar se sou eu a única louca no mundo que acha que tudo isso está errado. É gente fingindo estar dormindo quando vê uma senhora cheia de sacolas no ônibus: não se dá o lugar nem tampouco ajuda a carregar as sacolas, é gente buzinando dentro do seu carrão, irritado pelo trânsito, sem ver que é muito melhor estar naquele conforto do que dentro de um ônibus que mal se consegue ficar de pé sem ter que esbarrar em mais uns 10. Ai eu fico pensando se não estou em nenhum universo paralelo de realidade distorcida, onde o legal mesmo é tirar vantagem a qualquer custo e a palavra "ser" foi totalmente substituída pela palavra "ter".
Então me vem algumas frases na cabeça, de um livro genial que comprei há alguns anos atrás mas só agora realmente me chama a atenção.
"O pessimista se queixa do vento, o otimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas" - William George Ward - teólogo
"Somos duplamente prisioneiros: de nós mesmos e do tempo em que vivemos" - Manuel Bandeira - poeta
"O sentido da vida é buscar qualquer sentido" - Carlos Drummond de Andrade - poeta
"A vida não é uma pergunta a ser respondida. É um mistério a ser vivido" - Buda - Lider religioso
"Viver é desenhar sem borracha" - Millor Fernandes - Escritor
E finalmente, a filosofia que venho tentando adotar, principalmente nestes últimos tempos:
"Claro que a vida é bizarra. O único modo de encarar isso é fazer pipoca e desfrutar o show" - Solomon Short - escritor de ficção científica
É em momentos como estes que começamos a analisar tudo aquilo que ficou pra trás. Eu estou com uma gripe tremenda, dores pelo corpo, calafrios. Mas se tem uma coisa que me incomoda profundamente quando estou com gripe é o meu nariz, que fica completamente obstruido, me impedindo de respirar adequadamente sem ter que ficar fazendo tanto esforço.
É nestas horas que começamos a dar valor para aquelas pequenas coisas. Tantas inúmeras vezes que inspiramos e expiramos este ar circundante por dia, mas só conseguimos ver o quanto isso faz falta quando mal conseguimos respirar. Hoje, no meu serviço, em meio a uma verdadeira luta de rinosoro e soro fisiológico para meu nariz poder dar conta do serviço básico para o qual foi projetado, comecei a pensar em tudo aquilo que sinto falta hoje, e percebi o quanto eu deixei pelo caminho. Sinto falta principalmente de não ter tantas contas a pagar, de ter o dinheiro só para mim para eu conseguir um mínimo de planejamento para o futuro. Sinto falta do começo da faculdade, quando eu ainda tinha alguma ilusão de que com aquele diploma eu iria conseguir pelo ou menos dobrar meu salário. Acho que a única coisa que consegui dobrar neste meio tempo foi minha carga de trabalho, minha intolerância e meu peso. Sinto falta de ter mais tempo pra me dedicar aos estudos. Sinto falta das noites no cafofo do Ale / Coio, que todo mundo se juntava para beber e falar besteira. Hoje estamos todos tão responsáveis que doi. Sinto falta de ter pique para passar a noite em claro e ainda ter que voltar de ônibus pra casa. Sinto também falta das reuniões de banda, também no cafofo do Ale / Coio, onde ninguém tocava absolutamente nada mas todo mundo se divertia demais! É desta época que eu tenho parte das lembranças mais legais da minha vida.
No domingo de carnaval, eu e meu namorado decidimos fazer um bate e volta para a praia, visitando as praias do litoral norte. Saímos de casa bastante empolgados (primeiramente com o Ovomaltine geladinho que tomariamos na estrada) e seguimos rumo a nossa pequena aventura. O dia estava muito quente. Eu, um pouco sonolenta por ter acordado cedo, mas ainda assim cantando e brincando com o meu namorado, e tentando filmar as poucas cenas que eu podia filmar, de paisagens lindas pelo caminho. Enfim, chegamos em Caraguatatuba. Nem paramos muito por lá, pois nosso rumo era mesmo o centro velho de São Sebastião. Um pouco depois de Caraguá, vimos uma estranha fila de carros simplesmente parada (pra não dizer que estava andando a 3 km/h). Pensamos, "ah, isso deve ter sido algum acidente logo a frente, não deve ser nada". Ingênuos, pensamos simplesmente que aquilo não podia ser simplesmente o acumulo de pessoas para aproveitar o carnaval. Depois de quase 2 horas parados no trânsito, braços e pernas vermelhas que nem pimentão, decidimos que iriamos voltar dali mesmo para São Paulo.
Estranho como são as coisas... encarar trânsito em São Paulo é motivo de estresse, violência verbal, enfim. Mas se esse trânsito tem vista pro mar, a coisa muda de figura.
Voltando pra São Paulo, comemos em um restaurante de comida caseira super simpático, passamos no rancho da pamonha e contemplamos uma São Paulo maravilhosamente vazia, pensando no inferno que acabamos de sair.
É difícil demais manter a compostura. Pensando em ser certinha, aceitável, acabamos por ser algo falso, frágil. Fiquei lembrando esta semana de um caso com um dos alunos que tive, em um tempo muito muito distante (direto do tunel do tempo). Depois de esbravejar, soltar fogo pelas ventas, perder o pouco de cabelo que o restava (só porque eu me neguei a ser um dicionário ambulante, e pedir delicadamente que o mesmo procurasse a palavra em dúvida em uma ferramenta decente - Hail to "Cambridge Dictionary"), este aluno, que conveniente irei chamar de MALA levantou o dedo em riste, quase tão ereto e determinado quanto o Marco Bianchi, e ousou falar uma frase típica que todo Barão do Habib's (sic) fala quando vê seu "direito de consumidor ameaçado:
"Você faz idéia com quem você está falando?"
Quase que imediatamente retruquei, coisa que não é comum a mim, já que sou extremamente lerda (grrr) para respostas certeiras:
"Sim, estou falando com o MALA que apesar de ser diretor de uma multinacional, não sabe falar Inglês"
Hoje, com essa baboseira de "direitos do consumidor", criamos um certo tipo de Zé Mala, que acha que deve ser tratado como rei em qualquer lugar, independentemente de quanto paga por um serviço.
No meu caso, sendo coordenadora/professora de uma escola de Inglês, lido com pelo ou menos meia dúzia deles todos os dias!!! Chego com caimbra no rosto de tanto sorrir para todos. Não me entendam mal, eu adoro o que faço, tenho alunos extraordinários... mas que sinceramente, dá vontade de mandar pra PQP um infeliz que mal sabe escrever o próprio nome, mas tem coragem de destratar absolutamente a todos dentro da escola. Quer saber, só cantando o meu mantra para poder aguentar isso...